Dicas para a casa

Thursday, July 21, 2011

Convivendo com um acumulador

Naqueles programas da TV em que aparecem os acumuladores tentando voltar a ter uma casa que tenha cara de lar dá pra ver o quão complicado é livrar-se dessa mania e como é difícil conviver com alguém assim (normalmente os casos que aparecem na TV mostram pessoas que se tornaram solitárias devido a essa mania de guardar coisas).

Meu companheiro tem essa mania. Ele guarda garrafas vazias de bebida, embalagens de papelão e isopor de tudo o que compramos, sacos plásticos de supermercado não podem ser descartados, computadores velhos já sem uso e seus monitores, metros cabos coaxiais de uma instalação antiga de TV a cabo (atualmente temos TV a cabo pela NET e o padrão do cabo não é mesmo), marmitas de alumínio que já estão tão tortas que não se encaixam mais uma na outra, etc.

Como lido com isso? Tento aos poucos limitar os espaços de "guardar" lixo. Mas confesso que tem dias em que tudo o que quero é uma casinha arrumadinha e minha vontade é pegar minha filha e me mudar para outro apartamento deixando ele com suas coisas tão valiosas.

Algumas coisas que faço para não deixar o lixo crescer livremente:
- todos os dias tiro tudo o que estiver fora do lugar (algumas coisas vão para a lixeira)
- permito que ele cultive sua loucura em um determinado espaço (ele tem um cômodo da casa onde pode guardar o que quiser com a condição de não colocar porcarias em outros cômodos. Com isso, sei onde colocar aquele tubo de papelão sem me incomodar e sem criar razões para uma briga. O problema é fazer esse limite ser efetivamente respeitado (ele reclama que as coisas dele não cabem naquele quarto que é do mesmo tamanho do quarto em que dormimos).
- mostro para minha filha de cinco anos como é feio um quarto desarrumado e cheio de coisas. Meu marido está ensinando ela a guardar coisas: começou com a caixa de uma Barbie, depois teve a coleção de tampinhas de refrigerante e por último estava incentivando a menina a guardar até as unhas cortadas (isso mesmo, não é erro de digitação, ele cortou as unhas dela e colocou em um pequeno porta jóias e depois disso ela sempre queria guardar as unhas cortadas na caixinha de unhas - depois de uma conversa séria ela parou com isso)
- tento manter a calma
- tento manter a calma
- continuo tentando manter a calma

Se alguém tiver outras dicas de como lidar com esse tipo de situação, favor colocar sua contribuição nos comentários porque às vezes tenho vontade de desistir de tudo e esse post é um desabafo feito em um momento de desespero.

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10 Comments:

  • Que barra. Eu sinceramente acredito que é importante tentar compreender e tolerar certos comportamentos das pessoas que amamos, mas tudo tem um limite. E se o desespero bate a sua porta devido a esse comportamento é sinal que esse limite está sendo ultrapassado. Parece ser a hora de buscar ajuda profissional para que seu companheiro possa superar esse distúrbio e vocês possam conviver harmoniosamente.
    Força, não se entregue ao desespero, e por mais que seja difícil aja! :)

    By Blogger Ana, at 6:45 PM  

  • Muito bacana seu site, acabei de entrar nele por um acaso, buscando no Google dicas de economia para um outro amigo e por um acaso li seu desabafo sobre o que é conhecido por acumuladores "obssessivos compulsivos". A maioría começa essa mania na inocência, muitas vezes influenciados por terceiros (em geral membros da própria família que já tinham esse problema) mas o fato é que sempre existe um fundo emocional. Falo por experiência e sei que não é fácil, inclusive porque dificulta a rotina doméstica de todo mundo. Embora eu ache super bacana você tentar compreender o lado do seu marido, seria mais bacana ainda se ele buscasse uma ajuda profissional para investigar o fundo de tudo isso e percebesse como essa mania está prejudicando as pessoas que ele ama, inclusive colocando elas em risco (tanto em termos de qualidade de vida como de comprometer o relacionamento de vocês como família e socialmente). Meus pais sempre foram desordeiros, embora nossa casa sempre tenha sido organizada e não mostrasse bagunça aparente. A bagunça era camuflada (nas gavetas e armários). Não preciso dizer que acabei seguindo o mesmo caminho... Piorou quando casei e comecei com minha mania "ecologicamente correta" de querer guardar coisas para serem reaproveitadas, além de comprar materiais para fazer artesanato (Quando fico carente também compro por compulsão como uma forma de suprir minha carência, não apenas material de artesanato, mas cosméticos e alimentos ou algumas vezes coisas inúteis). Só percebi que havia perdido o controle quando me dei conta de que para arrumar um cômodo da casa tinha que bagunçar o outro ao transferir as coisas do primeiro. Não foi legal e me senti muito mal por isso. Um belo dia encontrei um livro que recomendo muito, pois foi o que me ajudou a ter mais consciência de como lidar com esse problema. Compre e faça seu marido ler também! Chama-se Arrume a sua Bagunça com Feng Shui (autora: karen kingston Editora: Pensamento). O bacana desse livro é que ele explica os motivos que levam uma pessoa a viver essa situação e como lidar com isso tanto emocionalmente como na prática com o ambiente. Me ajudou muito. É um processo dolorido, você tem que encarar os fantasmas da sua vida, mas faz um bem danado quando vencemos o medo e seguimos adiante. Não vou dizer que um livro é o suficiente para fazer milagres, nem mesmo a terapia é. O processo de cura tem que partir da pessoa que vive esse problema e no caso do seu marido só vai acontecer quando ele se conscientizar de que o que ele tem não é normal e desejar ser curado. Mas tem que haver um esforço da parte dele e comprometimento em querer mudar. Se ele quiser se livrar da bagunça de forma progressiva ao invés de se livrar de uma vez, tudo bem, já que não será fácil. Mas tem que haver a condição de não substituir o que tirou por outra coisa, do contrário ele vai ficar se iludindo. Uma dica: Nós fazemos isso para preencher um vazio dentro de nós, para compensar alguma tristeza ou frustração que vivemos em algum período da vida (que até pode ser do passado mas que é um processo que para nós não se encerrou). Vivemos um apego com as coisas e precisamos aprender a nos libertar, seja lá do que for que estiver nos segurando. E a outra coisa é que fazemos isso porque queremos nos sentir úteis. Juntando coisas que julgamos ter alguma utilidade é um grito de socorro que estamos dando sobre como queremos nos sentir importantes para as outras pessoas e não sabemos como fazer de outra forma. Espero sinceramente que vocês consigam superar tudo isso, de coração! E diga para seu marido que ninguém merece ter a auto-estima baixa, todo mundo é melhor que isso, inclusive ele! Palavra de uma acumuladora no caminho da cura :-) Beijos e uma ótima arrumação!

    By Anonymous Anonymous, at 6:42 AM  

  • Não acreditava que isto existisse na vida real, infelizmente não tenho como ajudar

    By Blogger mulher de 40.com, at 2:32 PM  

  • Oi gente
    Obrigada pela força.
    Mas para procurar ajuda profissional é necessário que ele veja que o problema existe - e isso é bem difícil de acontecer. Percebo também que o problema pode ter origem genética pois a mãe dele também guarda quinquilharias.

    Abraços.

    By Blogger Grixx, at 12:09 PM  

  • Loque vc não leva ele para um atendimento médico.....acho a melhor opção....acredito que ele vai reconhecer que isso e' uma doença e o pior e' passar para sua filha.
    Com certeza tudo vai se resolver......só não deixe a coisa tomar proporção muiiito grande.
    Beijos e desejo de coração que sua casa volta a ser como vc qr e deve ser.
    Bjs

    By Anonymous Iara bohana, at 7:38 PM  

  • Faça como eu, espero que não esteja em casa e jogo fora as coisas que ele não vai mexendo diariamente e quando ele lembrar delas, diga que não viu... Dessa forma diminui um pouco o problema e aconselhe ele a ir a um médico....

    By Anonymous Anonymous, at 9:15 PM  

  • Bom dia, tenho idéia de como se sente, passo por um problema semelhante com o meu pai. Não sei como ajudar no problema deles, mas sinto que podemos nos ajudar a ajudá-los.
    Há muitos anos meu pai vem acumulando coisas. Como ele é construtor, no início eram materiais que ele encontrava em caçambas de restos de obras, realmente eram materiais que podiam ser reutilizados, mas devido ao alcool, em 98 minha mãe separou dele. Deste ponto em diante o problema só agravou. E mais recentemente começou a ter problemas com a visinhança, pois a casa dele causa um impacto negativo na valorização dos imóveis do bairro.
    Até então eu nunca me incomodei, ele sempre lúcido e saudável, nao competia a mim julgá-lo pelo modo de vida. Mas de uns anos para cá, comecei a me preocupar, pois ele começa apresentar problemas de saúde, e não busca ajuda, nem mesmo em momentos de maior crise.
    Dado esta preocupação comecei a tentar me envolver mais, me aproximar, e ao senti-lo melhor, percebi que apesar do hábito compulsivo lhe trazer certo prazer, os resultados lhe incomodam um pouco.
    Estou agora explorando esta brecha para tentar ajudar, pois senti que ele não gosta do resultado em que chegou.
    Comecei a explorar seus sonhos, criando novos, fazendo sonhar com novas coisas legais, sugerindo cenários, assim como fazemos quando contamos histórias para crianças. Não descreditando os que tem, mas sim, criando outros, sonhos intermediários, que vão de encontro as condições em que ele se encontra. Acredito que isso pode ajudar.
    Não vou me estender mais neste nosso primeiro contato, mas pretendo sim depois desta experiência até escrever um livro para ajudar as pessoas que, ou se encontram nesta condição ou mesmo os que tem entes que vivem assim.

    Mas uma grande dica que posso te dar é: Nunca, mas nunca tire dele o direito da escolha.

    Isso é fundamental. Explico mais para frente.

    Gostaria de conversar com mais pessoas que sofrem o mesmo problema para nos ajudarmos

    Qualquer coisa anota meu email: betospeed@yahoo.com.br
    ou me procura no facebook: Betinho Betox

    Abraços

    By Blogger Betinho Betox, at 4:26 AM  

  • ops, *vizinhança

    By Blogger Betinho Betox, at 4:36 AM  

  • Oi!!!

    Tenho esse problema de colecionismo mas estou em tratamento há vários anos. Posso deixar de cadeira algumas dicas:

    * NUNCA DEIXE SEU MARIDO INCENTIVAR SUA FILHA!!!! Essas manias nem precisam ser incentivadas, elas simplesmente "aparecem".

    * Continue limitando o espaço dele.

    * Mostre pra sua filha o sofrimento que é viver assim. Porém, procure usar a linguagem adequada à idade dela.

    * PROCURE AJUDA URGENTEMENTE. SE ELE NÃO QUER PROCURAR AJUDA PARA SI, PROCURE VOCÊ!
    É importante que a família do paciente tenha consciência que também sofre com a doença.

    Boa sorte!

    By Blogger Little Fox, at 1:38 PM  

  • Ola
    Estou com um problema serio, meu pai é acumulador, ele tem uma casa aonde ele acumula coisas, mas agora minha familia esta sem lugar para morar pq ele nao consegue ajudar com o dinheiro para comprar uma casa e sempre gasta todo seu dinheiro na casa aonde ele acumula as coisas dele. Ele nao fica mais na casa que moramos, pois começa a acumular coisas aqui e reclamamos entao ele vai para a casa do outro local. Eu nao sei o que fazer com meu pai ele diz que nao tem doença nenhuma e esta empatando a vida de nossa familia!! Alguma sugestao? Ele nao vai ao psiquiatra de maneira nenhuma.

    By Anonymous Anonymous, at 10:39 AM  

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